MAÇONARIA, “CAVERNAS DE PLATÃO” E OUTRAS PICUINHAS

                                                                                                                                           José Maurício Guimarães

Fiquei feliz com as muitas respostas e comentários sobre meu pequeno artigo anterior intitulado “O sistema iniciático da Maçonaria começa aqui”, onde abordei o mito da caverna, descrito por Platão.Mais feliz ainda fiquei em perceber que alguns Irmãos discordaram abertamente do que escrevi. SIM, pois normalmente (por questão de gentileza) a maioria concorda comigo. Mas o que eu pretendo é provocar a discussão, o pensamento crítico e o debate. Eu seria um tolo se buscasse apenas o aplauso e o abanar de cabeças aprovando tudo o que escrevo. Deixo esse triste papel para os que se esforçam em tornar-se “famosos” à custa da filosofia maçônica. Prefiro o velho ‘Chacrinha’ da televisão ‒ o Abelardo Barbosa ‒ que afirmava: “eu não vim para explicar, mas para confundir” do que o “magister dixit” (o mestre disse), expressão usada no Império Romano e mesmo no Século XV pelos professores de Florença para impor silêncio aos alunos que questionavam as teorias adotadas pelo sistema vigente.

Sabemos sobejamente que vivemos num tempo em que se impõe o silêncio mesmo em instituições que se dizem libertárias, fraternas e igualitárias. Cuidado…

Vivemos num mundo de “mestres”, especialmente quando, nos dizeres de Umberto Eco,

“… as mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam apenas nos bares, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Dizíamos imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.

Fecho aspas!

Ajudem-me!, ajudemo-nos mutuamente a repensar a maçonaria substituindo o absurdo nosso de cada dia pela maçonaria que o futuro espera de nós: vamos ler mais, especular mais e procurar saber quais os fatos e verdades subjacentes na atualidade da Ordem.

Infelizmente, e para a decepção de muitos, assim como acontece iniciarmos pessoas desprovidas do perfil desejável na maçonaria (seja por sindicâncias mal feitas ou erro essencial sobre candidatos), também são criadas ou mantidas Lojas contrárias ao ideário maçônico. Felizmente são poucas, mas existem. O fato histórico mais aberrante é o da Loja “Propaganda Due”, (Propaganda Dois) ou P2, que operou na Itália entre 1945 a 1981. Claro que não chegamos a esse extremo, nem quero entrar em detalhes sobre a tal Loja italiana (pesquisem por vocês mesmos); mas em alguns casos chegamos a passar rente da cerca de arame (“roçando o alambrado”, como se diz na gíria). Nesses casos, o obreiro bem intencionado, mas ainda sem instrução, não conseguirá demonstrar nem os enganos, nem os desiquilíbrios de uma Oficina fora de prumo; o melhor que ele faz, se quiser progredir, é encontrar o amparo de outra Loja.

Evidentemente essas questões não estão contempladas no mito da caverna descrito por Platão durante o século IV antes de Cristo, no Livro VII de “A República”. O uso que fiz do filósofo grego foi didático mediante analogia. Eu seria o maior dos tolos se ousasse demonstrar que Platão fora “um irmão” de alguma Loja do oriente de Atenas (Στην πόλη της Αθήνας), pertencente a alguma “Potência da Graecia antiqua” ‒ com carteirinha, usando óculos, bigode aparadinho e terno preto, saindo de casa à noite, uma vez por semana, para participar de sonolentas reuniões destinadas à troca de elogios e bajulação mutua. A principal lição que recebemos de Sócrates, pelas mãos de Platão, é QUESTIONAR SEMPRE, duvidar e procurar a verdade em tudo.

Esse, meus caros Irmãos, é o “X” da questão.

Enquanto eu escrevia essas reflexões, recebi o costumeiro e-mail do Museu Maçônico Paranaense (sexta-feira, 20 de julho de 2018 20:30) onde o incansável Irmão Hiran Luiz Zoccoli descreve:

“Desgraça pouca é bobagem”

‒ O dito popular, “desgraça pouca é bobagem”, não deixa de ter fundamento, também na Maçonaria.

‒ Alteração e introdução de cerimônias no Ritual Maçônico e supressão de outras, o que continua até os dias atuais.

‒ Articulações e manipulações políticas, atitudes não dignas de maçom para ocupar e manter-se em cargo, continua até os dias atuais.

‒ Exaltaram-se as vaidades e vários ritos foram criados, (nestes 300 anos), após 1717, sem mencionar as Potências e Supremos Conselhos no Globo Terrestre, cada um chamando para si o PODER de alterar os “ritos criados” sem considerar que o Ritual Maçônico esta intima e harmonicamente relacionado às Leis Criadas pelo GADU.”

Fecho aspas!

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RESUMO DO MITO DA CAVERNA:

O mito da caverna, descrito por Platão no Livro VII de “A República” (escrito no século IV antes de Cristo), relata simbolicamente a situação de prisioneiros que vivem, desde seus nascimentos, acorrentados numa caverna. Eles passam a vida olhando para uma parede iluminada por reflexos de uma fogueira. Naquela parede veem projetadas as sombras do que representam as plantas, pessoas, objetos e animais. Esses prisioneiros imaginam nomes para cada sombra e inventam circunstâncias para julgarem todas as situações.

De repente, um dos prisioneiros escapa das correntes. Explora o interior da caverna e alcança o mundo externo. Descobre a realidade, vê a luz do sol e percebe que passou a vida envolto apenas em sombras projetadas.

Volta então para a caverna e tenta compartilhar com seus amigos ainda presos o novo conhecimento adquirido na luz do dia.  Mas passa a ser combatido e ridicularizado quando narra o que viu do lado de fora. Seus amigos só acreditam na realidade que enxergam na parede das sombras. Em vez de tentarem experimentar o que lhes é transmitido por quem viu a luz, passam a chama-lo de louco e ameaçam mata-lo por causa de “ideias absurdas”.

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