MINERADORAS E ARMAS DE FOGO:

José Maurício Guimarães
20 novembro 2015

“democracias não governadas pelo voto”

 

Nos últimos dias concentrei minha atenção em dois fatos  que me incomodam, particularmente pela minha condição de maçom:

 

 

1) O Projeto de Lei  3722/12 que altera o Estatuto do Desarmamento;

2) A catástrofe decorrente do rompimento das barragens de Fundão e Santarém, no dia 5 de novembro, na unidade industrial de Germano, entre os distritos de Mariana e Ouro Preto, cerca de 100 km de Belo Horizonte, provocando uma onda de lama que devastou distritos próximos e atingiu as águas do Rio Doce.

O mais preocupante para mim, entretanto, foi a reação de alguns maçons que se posicionaram contra minha iniciativa; não pela oposição de ideias (que é normal nas estruturas democráticas) mas pela impiedosa hostilidade de caráter pessoal endereçadas aos pontos que procurei expor.

Escrevo artigos na internet e para revistas maçônicas há mais de 10 anos, sobre os temas mais polêmicos, e tenho mantido um diálogo elevado com os que me honram com suas leituras. Escrevo para mais de 11.000 maçons em todos o Brasil e exterior e tenho um retorno de mais de 18% sobre os temas abordados, alguns corroborando minhas opiniões, outros discordando de algum ponto, outros acrescentando ideias e sugerindo projetos.

Mas, desta vez, quando mexi no ninho das cobras (o interesse econômico corporativo), uma ilustre plêiade “fraterna” voltou-se contra mim ˗ não contra minhas ideias, pois eles não conseguem contrapor ideias, somente usar o poder da força para tentarem intimidar. Foram ameaças explícitas, veladas outras e intimidações anônimas tentando desestabilizar as funções que exerço na instituição a que pertenço e sirvo com denodo e desprendimento. Não foi uma totalidade, mas 20 ou 27 pessoas que andam comigo atravessado na garganta. Lamento informar, mas eles continuarão engasgados e sem saberem por onde me pegar. Até os menos letrados tornaram-se, de repente, exímios escritores em textos desleais, mostrando assim que outra pessoa mais instruída nas letras escreveu tais textos. E-mails falsos e artimanhas de todos os tipos partindo de pessoas que deveriam, antes de mais nada, zelar pela busca da Verdade.

Eles estão temerosos de quê? A quem serve essa gente? Quem é o sinhozinho de engenho que os amamenta?

Pensam que meu interesse, quando apareço na internet, é angariar simpatias para me candidatar a algum cargo na Ordem ou no mundo profano? Enganam-se ou, como diria um velho amigo meu: estão “enganadamente redondos“. Não estou na Maçonaria par “vir a ser” alguma coisa, pois eu já sou alguma coisa, embora modestamente: em minha carreira profissional gozo do respeito dos meus ex-alunos que fazem questão de ostentar meu nome em seus currículos e teses universitárias; da mesma forma meus colegas de trabalho e amigos que me reconhecem como cidadão honrado, homem casado e pai de família, sem vícios ou distorções de conduta. Isso é suficientes para que eu passe desta para a outra vida com a consciência tranquila e feliz.

Estou na Maçonaria para aprender mais, para SERVIR e compartilhar aquilo que de graça recebo pela bondade do Grande Arquiteto do Universo. Gozo da confiança dos meus superiores e os e-mails que enviei sobre a catástrofe que desabou sobre Minas Gerais, clamando por ajuda aos desabrigados do Vale do Rio Doce, tiveram o apoio do Grão-Mestre de minha Potência.

Não preciso reescrever aqui os textos onde apontei minhas dúvidas sobre o estatuto do desarmamento/armamento e o rompimento das barragens. Vocês devem ter lido todos e, se desejarem, posso reenviá-los.

Aos lacaios do poder, informo que não vou repisar esses assuntos, mas continuarei batalhando para mostrar onde estão os entraves que emperram a ação da Maçonaria e sufocam a maioria silenciosa. Nesse particular, só os que têm telhados de se incomodarão ou tomarem para si o que escrevo.

Dito isso, acho oportuno transcrever partes do texto de LUIZ FLÁVIO GOMES que, para quem não sabe, é renomado jurista brasileiro, fundador da primeira rede de ensino telepresencial da América Latina.Coeditor do Portal Atualidades do Direito. Doutor em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidad Complutense de Madrid. Mestre em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Professor de Direito Penal e Processo Penal em vários cursos de pós-graduação, dentre eles a Facultad de Derecho de la Universidad Austral (Buenos Aires, Argentina) e UNISUL, de Santa Catarina.

Luiz Flávio Gomes é professor honorário da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Santa María, em Arequipa, no Peru. Foi Promotor de justiça em São Paulo de 1980 a 1983, Juiz de Direito de 1983 a 1998 e advogado de 1999 a 2001. Individual expert observer do X Congresso da ONU, realizado em Viena de 10 a 17 de abril de 2000. Membro e consultor da delegação brasileira no décimo período de sessões da Comissão de Prevenção do Crime e Justiça Penal da ONU, realizado em Viena de 8 a 12 de maio de 2001. Secretário geral do Instituto Panamericano de Política Criminal (IPAN).

Leiam o que ele diz (por precaução, e para que eu não sofra novas retaliações, coloquei entre colchetes […] os nomes que Luiz Flávio Gomes cita abertamente.

“Nas democracias corruptas (escandalosamente “compradas” pelos endinheirados) a sociedade não é governada pelas maiorias que saem das urnas (muita gente não tem a mínima ideia disso), sim, pelo dinheiro das grandes empresas (e/ou dos grandes empresários), que são (no final) os “governantes” reais do país. A questão de fundo, na verdade, nem é o dinheiro em si, sim, os interesses, normalmente escusos (quando não escatológicos), que ele representa. Os exemplos dessa nefasta anomalia política (que é a democracia corrupta) se multiplicam, no nosso país, infinitamente. Para citar apenas mais dois deles, basta prestar atenção no que está ocorrendo hoje (26/11/14) na Câmara dos Deputados, com as discussões do novo Código da Mineração assim como do PL 3722/12, […] que revoga o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03). Em ambos as comissões que estão discutindo tais assuntos foram majoritariamente “compradas” (financiadas) pelos respectivos segmentos empresarias (que doam dinheiro para as campanhas eleitorais e depois cobram o retorno no momento da aprovação de projetos dos seus interesses). Mais corrupção da democracia que isso é impossível imaginar.”

E prossegue Luiz Flávio Gomes:

“Mesmo com as receitas momentaneamente em queda, as empresas mineradoras e de metalurgia “doaram” na campanha deste ano (2014) R$ 47,7 milhões e ajudaram eleger 166 dos 513 deputados federais e 14 dos 27 senadores (Valor 22, 23 e 24/11/14). Está em pauta o novo Código da Mineração. Não é por acaso que sete dos dez deputados eleitos que mais receberam verbas do setor ocupam assento (onde?) na comissão especial da Câmara que discute o novo código. Que isenção têm esses deputados […] para discutirem o novo Código da Mineração? Lutar por interesses setoriais é do jogo democrático (muitos possuem lobby para isso). O problema não é o pedido das empresas, sim, a falta de isenção do parlamentar para discutir assunto do interesse de quem o “financiou“ […]

Noutras palavras: minhas preocupações desde 5 de novembro não estavam entre as informações sensacionalistas, mas bem fundamentadas em informações sérias e responsáveis, como as que Luiz Flávio Gomes denuncia, inclusive sobre o Projeto de Lei 3722/2012 (que revoga o Estatuto do Desarmamento) outro tema que fez desabar sobre mim uma série de ataques. Diz Luiz Flávio Gomes, no mesmo artigo:

“Passa-se a mesma coisa com o Estatuto do Desarmamento, que está na pauta de discussão da Câmara dos Deputados (com audiência pública marcada para 26/11/14). As empresas do setor ajudaram a eleger vários deputados e senadores (a famosa “bancada da bala”), […] composta por quem? Majoritariamente (10 em 19) pelos integrantes da referida bancada. Repita-se: que isenção têm esses parlamentares para discutir um assunto que envolve diretamente seus “financiadores”? Mais um deplorável exemplo de “doação” que é, na verdade, investimento. Quem monopoliza a área de armas e munições? Taurus e CBC, justamente as que doaram (em 2014 – 57% e 43% respectivamente) R$ 1.730.000 para financiar campanhas de 30 candidatos (deputados federais, estaduais, senadores e governadores) de vários partidos. Mais de 70% dos candidatos foram eleitos (14 deputados federais e 7 estaduais). PMDB e DEM receberam 50% das doações. RS e SP ficaram com 50% das “prendas“.

“O que os financiadores da bancada da bala estão pretendendo? Incrementar os seus negócios (afinal, fizeram investimentos para isso). Que tal se mais categorias puderem receber porte de armas? Num país que é campeão mundial em mortes violentas (números absolutos, 70% por meio de arma de fogo), não é difícil “vender” o produto da disseminação geral das armas de fogo. O PL 3722 revoga o Estatuto do Desarmamento, que impõe várias restrições à fabricação e comércio das armas de fogo no país (foi o consenso a que se chegou depois do referendo de 2005). Com isso, pretende-se que os cidadãos andem armados nas ruas com mais liberdade. É tudo o que muita gente está querendo! Ocorre que o Brasil hoje, pelos números que apresenta, já é um caos em termos de violência. Estão agora pretendendo o abismo, porque o problema terrível das armas de fogo não são armas (elas não disparam sozinhas), sim, os seus portadores (em geral despreparados para o seu uso).“

FONTE : http://institutoavantebrasil.com.br/democracias-corruptas-como-os-endinheirados-compram-os-parlamentares/ [DEMOCRACIAS CORRUPTAS: COMO OS ENDINHEIRADOS “COMPRAM” OS PARLAMENTARES, 26 de novembro de 2014 ]

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