SONS E MÚSICA

 Trabalho no Grau de Aprendiz

ELIAS MARANINCHI GIANNAKOS M:.M:.
ARLS Luz d’Alvorada Nº 142

O homem antigo desconhecia métodos organizados de “terapia dos sons”, mas, na verdade, nem precisava deles, pois conhecia e vivenciava espontaneamente a influência deles em seus seres.

O terror provocado pelos trovões, a tranquilidade gerada pelo ruído de uma chuva fina, o enlevo produzido pelo canto de um pássaro, o êxtase a que se é conduzido pelo som de uma flauta: todos esses sentimentos são fruto de efeitos inexplicáveis, mas que sempre atraíram e exerceram forte influência sobre o ser humano.

HISTÓRIA

Na região próxima a Kahum, no Egito, foi descoberto em 1889 um papiro de aproximadamente 4.500 anos que revelava a aplicação de um sistema de sons e de músicas, instrumentais ou vocais, para o tratamento de problemas emocionais e espirituais. Esse sistema incluía até mesmo indicações para algumas doenças físicas.

A mitologia grega também é rica em informações sobre técnicas terapêuticas de caráter musical. Asclépio, ou Esculápio para os romanos – do qual, acreditavam os gregos, descendia o próprio Hipócrates – tratava seus doentes fazendo-os ouvir c6anticos considerados mágicos.

Homero, por sua vez, famoso historiador que precedeu Platão, afirmava que a música foi uma dádiva divina para o homem: com ela, poderia alegrar a alma e assim apaziguar as perturbações de sua mente e de seu corpo.

Os gregos antigos chegaram a desenvolver um sistema bem organizado de musicoterapia, baseado na influência de certos sons, ritmos e melodias sobre o psiquismo e o somatismo do ser humano . Esse poder que se atribuía ao som, ou à música, denominava-se ethos e dividia-se em quatro tipos baseados nas quatro formas de temperamento humano. São eles:

* Etho frígio – que excita, gera coragem e mesmo furor;

* Etho eólio – que gera sentimentos profundos e amor;

* Etho lídio – que produz sentimentos de contrição, de arrependimento, de compaixão e de tristeza;

* Etho dórico – que gera estados mais profundos, de recolhimento e de concentração.

Em todas as culturas antigas, sejam elas egípcias, persa, grega, indiana, chinesa, japonesa ou qualquer outra, existem importantes referências sobre terapia musical ou sobre a conexão do estado de espírito. Entre os gregos, ainda, a flauta do semideus Pã ficou famosa, não só por encantar as pessoas como também por que eliminava os maus sentimentos acumulados no organismo.

O Remédio da Alma

Platão revelou especial admiração pelo estudo dos efeitos da música sobre os seres humanos e, em particular, por seus efeitos terapêuticos. Afirmava que “a música é o remédio da alma” e que chega ao corpo por intermédio dela. Ainda segundo o filósofo, a alma pode ser condicionada pela música assim como o corpo pela ginástica.

Demócrito, outro filósofo grego afirmava com convicção que o som melodioso da flauta doce conseguia combater os efeitos da picada de serpentes venenosas. Esse poder da flauta, cuja melodia encanta as próprias serpentes na Índia desde os tempos mais remotos, ganhou fama na Europa durante a Idade Média: acreditava-se, então, que o som da flauta doce era capaz de curar crises de dor ciática, como o confirmam registros da época.

Música, alimento do amor

O escritor e pensador alemão Goethe costumava passar horas e horas ouvindo sinfonias que considerava inspiradoras e que, segundo suas palavras, “representavam a fonte do pensamento e do sentimento puro”.
Não há como negar a influência dos sons na natureza anímica e mental do ser humano; esses recursos, aliás, têm sido cada vez mais aproveitados pela moderna musicoterapia.

Bastante freqüentes na arte medieval e renascentista, as figuras de anjos tocando instrumentos sugerem a relação da música com os poderes celestiais.
Modernamente, a musicoterapia é largamente empregada no tratamento de diferentes anomalias psicofísicas como a esquizofrenia e em problemas tipicamente neurológicos, como a afasia (perda total ou parcial da fala). Também exerce excelente influência no tratamento de neuroses e no autismo infantil. Recentemente, clínicos norte-americanos divulgaram os efeitos benéficos de certas músicas no tratamento da crise asmática e da colite nervosa. Mesmo as neuroses de guerra têm sido tratadas com música, e existem relatos comoventes de crises de choro intenso provocadas pela audição de sinfonias de Beethoven, nos alojamentos dos soldados no Vietnã. De modo mais genérico, muitos profissionais ligados à psicoterapia vêm utilizando os sons para estimular a auto-confiança em seus pacientes, desenvolver a concentração e aliviar tensões, através da música ambiental .

Os instrumentos musicais e seu efeito

Baseada nos estudos da musicoterapia clássica, o psiquiatra inglês Robert Schauffer observou os seguintes efeitos dos instrumentos sobre o organismo:

* Piano: combate a depressão e a melancolia;
* Violino: combate a sensação de insegurança;
* Flauta doce: combate nervosismo e ansiedade;
* Violoncelo: incentiva a introspecção, a sobriedade;
* Metais de sopro: inspiram coragem e impulsividade.

Os benefícios da música

Para os estudiosos, a influência da música atinge diversos órgãos e sistemas do corpo humano: o cérebro, com suas estruturas especializadas, como o hipotálamo, a hipófise, o cerebelo; o córtex cerebral, o tálamo, o plexo solar, os pulmões, todo o aparelho gastrintestinal, o sangue e o sistema circulatório, agindo, portanto, na pressão sangüínea, a pele e as mucosas, os músculos e o sistema imunológico. O médico polonês Andrzes Janicki, especialista em musicoterapia, após realizar muitas experiências nesse campo, concluiu também positivamente a respeito da influência da música no sistema nervoso central, no sistema endócrino, no sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático), nas funções de numerosos órgãos internos, na função psíquica e na memória. Tais influencias se revelam diretamente nos seguintes aspectos:
* ritmo cardíaco
* pressão arterial
* secreção do suco gástrico
* tonicidade muscular
* equilíbrio térmico
* metabolismo geral
* volume do sangue
* redução do impacto dos estímulos sensoriais
* funcionamento das glândulas sudoríparas
* redução da sugestionabilidade e do medo.

A musica pode ser usada de diversas formas como tratamento desde a simples música ambiental constante, passando pela audição individual ou grupal, ou então no ambiente dos centros de terapia, associada a tratamentos clínicos ou a outras técnicas como a cromoterapia, a aromaterapia, a bioenergética, a reflexologia, a ioga, a meditação, a alimentação natural, a ginástica e a dança. Atualmente, a musicoterapia também tem sido associada a várias formas de tratamento, em particular à psiquiatria, à fisioterapia e à medicina psicossomática.

Na França, um dos países pioneiros nos estudos de musicoterapia, foi criado um Centro de Pesquisas e Aplicações Psicomusicais, cujos terapeutas sistematizaram a terapia musical em dois grandes grupos: a) a musicoterapia passiva, em que o paciente apenas ouve a música específica para seu tratamento; b) a musicoterapia ativa, em que o paciente passa a tocar um instrumento, em grupo ou isoladamente, segundo suas necessidades terapêuticas. Em ambos os casos, a música ou o conjunto de peças musicais utilizadas no tratamento são escolhidas após entrevistas que definem os diagnósticos e as técnicas mais adequadas. Com base na experiência do Centro de Pesquisas e Aplicações Psicomusicais, o efeito de determinadas músicas sobre pacientes com doenças nervosas foi dividido em quatro grandes grupos: a) EFEITO RELAXANTE – Sonho de Amor, de Liszt, O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, Serenata, de Schubert; EFEITO DE TRANQUILIDADE PROFUNDA – Ave Maria, de Schubert, Rêverie, de Schumann; EFEITO TONIFICANTE – Abertura da Aída, de Verdi, Sinfonia nº 5, de Dvorák, Judeus, da Ópera Fausto, de Gounod; EFEITO DE EXALTAÇÃO E ESTIMULACÃO – Serenata, de Toselli, Adagio, de Albinoni, As Criaturas de Prometeu, de Beethoven,

SONS VOCÁLICOS

Sons produzidos pelo homem através de sua vocalização

RA – é uma característica real da natureza masculina, que afeta o sistema nervoso simpático, a aura humana e o corpo psíquico. É entoado em Lá natural.
MA – Som companheiro de RA, MA é um som maternal, feminino, de natureza fortalecedora e protetora. Tem o poder da maternidade, de nutrir a semente da vida, após ter sido ela recebida. Alguns dos efeitos de MA se relacionam com a cor das coisas. Este som pode, ainda, produzir pequenas ondulações na água. É entoado em Lá natural.

RA-MA – Entoados juntos, os sons RA-MA demonstram o poder combinado masculino e feminino.

KHEI – O som KHEI é calmante, curativo, produz paz, e contribui para a boa saúde de modo geral, além de afetar, particularmente, as glândulas supra renais. Não devendo sua atividade ser confundida com as funções do plexo solar, as glândulas supra renais intensificam e transmitem, do sistema nervoso autônomo, os impulsos de nossas emoções, de nossos pensamentos concentrados e dos estímulos cósmicos, de modo que se manifestem mais fortemente e provoquem efeitos mentais e físicos. É entoado em Mi natural. Produz a cor lilás luminoso ou tom azul violáceo, que indica sublimes aspirações espirituais e nobres emoções.

MEH(MÉ) – O som MEH afeta a corrente sanguínea, quando esta passa pelos pulmões e é polarizada. pela energia cósmica. Afeta o plexo solar, contribui para produzir uma cor verde-amarelo na aura, e auxilia as faculdades psíquicas na transmissão de impressões psíquicas para o Eu material, ou seja, MEH harmoniza os centros psíquicos do organismo humano com as forças infinitas do Cósmico. É entoado em Dó central..

EHM(EIM) – O som EHM, produz paz. Afeta a glândula cuja atividade importante se desenvolve durante a infância: a glândula timo. Trata-se do centro, no corpo da criança ainda não nascida, que primeiro atrai o cordão místico de prata da personalidade-alma. Depois que a personalidade penetra no corpo da criança, a glândula timo diminui gradativamente de tamanho e o cordão de prata se liga a todos os centros psíquicos, especialmente à medida que estes se desenvolvem. EHM tranquiliza o sistema nervoso, aliviando a dor e o sofrimento.

EYE(AI) – O som EYE afeta as glândulas supra renais, sede de nossas emoções, cuja atividade não deve ser confundida com as funções do plexo solar. As vibrações calmantes, agradáveis e repousantes de EYE produzem uma coloração vermelha – escura na aura; essa coloração denota compaixão, profunda solidariedade para com o semelhante. O tom é Sol natural.

EH(É) – O som EH exerce poder ou efeito sobre o elemento água da natureza, e os experimentos realizados o comprovam. Ao emitirmos este som, é importante que o pronunciemos corretamente e nos concentremos na ideia de que ocorrerá um efeito purificador em nosso sangue, na linfa e em outros líquidos do corpo. Produz uma coloração verde-amarelo, produz ainda uma tonalidade vermelha na aura. É estimulante e eficaz, principalmente para aqueles que tem um pequeno problema de saúde ou algum distúrbio sanguíneo.

OOM(UM) – O som OOM ao ser entoado, deve ser prolongado até gradativamente se extinguir. O significado do “M”, neste som, é, também, do poder amadurecido e passivo da natureza feminina. A letra “O” representa o universo, o espaço infinito e a imortalidade da vida, sem começo nem fim. Procuremos sentir o efeito de “UUM” sobre todo o corpo físico e observemos, especialmente, a estimulação da corrente sanguínea e a sensibilização dos sistemas nervosos autônomo e espinhal.. O tom é Ré natural.

Irm. Vagner Fernandes
Para Loja Fênix de Brasília Nº 1959

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