PELA REPROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL

Kamel Aref Saab
04 dezembro 2017

“A partir de hoje, 15 de novembro de 1889, o Brasil entra em nova fase, pois pode-se considerar finda a Monarquia, passando a regime francamente democrático com todas as consequências da Liberdade”.

Foi dessa forma que, 128 anos atrás, o jornal carioca Gazeta da Tarde anunciava a Proclamação da República do Brasil, após um processo de levante político-militar que deu fim ao governo do imperador e deu início ao País que conhecemos hoje.

Como não podia deixar de ser, a Maçonaria também esteve presente nesse momento histórico, assim como nas principais transformações sociais e políticas ocorridas no Brasil, da Abolição da Escravatura à Independência. Primeiro presidente da recém proclamada República, o Marechal Deodoro da Fonseca, foi o 13º Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil (GOB). Logo no princípio de seu governo, ele contou com um ministério composto por grandes nomes históricos entre os republicanos, como Benjamin Constant, Campos Sales, Floriano Peixoto e Rui Barbosa. Mais do que nomear ruas, avenidas e praças hoje, todos têm em comum o fato de serem maçons e figuras de suma importância para o Brasil.

Diferentemente do que pensam aqueles que propagam os mitos que envolvem a Ordem Maçônica, o envolvimento dos maçons nesses momentos históricos não se deu por conta de algum plano fantasioso de dominação. Antes disso, ocorreu por causa dos próprios ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade da Maçonaria e dos Maçons presentes em suas fileiras. Foram esses homens que, por acreditarem em um mundo mais justo e fraterno, ajudaram a construir a Ordem e nosso País.

Embora esteja distante quase 130 anos atrás, o cenário que levou ao levante que culminou com a Proclamação da República não nos é estranho. A Nação passava por uma crise econômica, proveniente da falta de uma boa gestão e agravada pelas elevadas despesas financeiras, à época em decorrência da participação na Guerra da Tríplice Aliança, seguida por endividamento com o capital externo.

Mais do que isso, era crescente o descontentamento da população com o governo monárquico. Um dos estopins para o levante se deu após o Visconde de Ouro Preto apresentar uma proposta à Câmara dos Deputados um programa de reforma política que, entre outras medidas, propunha maior autonomia administrativa às províncias, liberdade de voto e liberdade de ensino. Essas propostas foram vetadas e, após um curto espaço de tempo, o movimento republicano cresceu e ganhou força.

Não é difícil traçar paralelos entre o que passamos hoje com o passado, e essa proximidade só nos mostra como vivemos um momento chave para o Brasil, que pode ser lembrado pelos próximos 130 anos. Com a aproximação das eleições de 2018 e principalmente após as convulsões políticas e econômicas que vivemos nos últimos anos, esse talvez seja um destes momentos de fazer história.

Hoje cabe à Sociedade Civil o papel de se unir para enfrentar a situação em que nos encontramos, de corrupção sistêmica e crise política e econômica. A Maçonaria não é diferente. Assim como aqueles homens que em 1889 enfrentaram a Monarquia, precisamos hoje superar nossas diferenças para lutar pelo País que queremos e esperamos. Aproveitando a data e guardadas as devidas proporções, digo que está na hora de re-proclamarmos a República do Brasil, numa organização pacífica e democrática em prol de uma Nação pujante e mais fraterna.


Grão-Mestre Estadual
do Grande Oriente de São Paulo (GOSP)

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