HISTÓRIA E ESTÓRIAS DOS PRESIDENTES MAÇONS NO BRASIL

PRESIDENTES MAÇONS NO BRASIL

JOSE MAURICIO GUIMARAES
3 de set de 2018

A acanhada história dos “presidentes maçons” no Brasil, após a ditadura Vargas, tem dois capítulos:

CAPÍTULO I: Jânio da Silva Quadros, advogado, professor e político brasileiro, foi o vigésimo segundo presidente do Brasil. Nasceu em janeiro de 1917 em Campo Grande, no Mato Grosso (do Sul, pois naquele tempo o Estado ainda não era dividido em dois).

Era moda e estratégia eleitoral (e ainda é) usar a imagem de “combate à corrupção” para angariar votos. Jânio adotou a figura da “vassourinha” e prometeu varrer o Brasil de norte a sul. Obteve assim uma vitória estupenda contra seu adversário, o marechal Henrique Lott: ‒ 5,6 milhões de votos – mas não conseguiu eleger o candidato a vice-presidente de sua chapa “udenista”(1). Quando ainda se amarravam cachorros com linguiça, o vice não era candidato vinculado na chapa; assim, venceu João Belchior Marques Goulart (o Jango), do Partido Trabalhista Brasileiro.

Vocês sabem que “um povo que não conhece sua História está condenado a repeti-la”: a lição aqui é essa: CUIDADO COM O VICE.

Pois bem (ou pois mal), numa linda manhã de agosto, enquanto os pássaros chilreavam maviosos cânticos em seus ninhos, e as campinas verdejantes de nosso torrão natal irradiavam o mais altivo olor jasmíneo junto ao auriverde desta terra descoberta por Cabral(2), Jânio acordou azedo e renunciou:

“Forças terríveis se levantaram contra mim…”, disse no texto da renúncia.

Esse foi o primeiro maçom eleito para presidir a República desde 1930, quando Getúlio Vargas (inimigo figadal da Maçonaria) tomou o poder pelas armas, expulsou do Catete(3) nossos Irmãos do GOB e mandou prender o último Presidente maçom da Velha República ‒ o pacato Washington Luiz(4).

Trinta anos depois, esse Jânio não resgatou a honra da maçonaria brasileira. Desandou em atitudes e “atos de governo” tresloucados: proibiu o biquíni nas praias, o jogo de bicho nas calçadas, a rinha de galos nos terreiros e as corridas de cavalo nos jóqueis e prados. Só não proibiu a cerveja e a cachaça, pois isso causaria uma conflagração de magnitude inimaginável. Dado a ditos chistosos, próprios das salas de aula onde lecionara, ao ser perguntado por repórteres sobre o porquê de beber, respondeu: “Bebo porque é líquido; se sólido fosse, comê-lo-ia.” (Foi ele, portanto, o inventor da mesóclise presidencial). Professor de português que era, exibia-se em presepadas como esta: “Fi-lo, porque qui-lo”. Meteu-se a espirituoso por ocasião de sua apresentação ao Mário Covas: “Espero que o senhor não tropece em seu próprio nome.” Noutra ocasião, numa festa do Itamaraty, despenteado, barba por fazer, terno cheirando a suor e hálito etílico, sentenciou contra uma dama da sociedade: “Minha senhora, não estamos aqui num concurso de beleza”.

Todas essas “gotas d’águas” entornaram o copo e fizeram dele alvo de chacotas “do Oiapoque ao Chuí”. Comprou briga com os deuses e o mundo: condecorou o ministro cubano “Che” Guevara com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, fazendo tremer dos pés às cabeças a tradicional família brasileira.

Fora essas bizarrices e excentricidades, Jânio não fez mais nada. Permaneceu no cargo apenas sete meses daquele infausto 1961 ‒ de janeiro a agosto (mês do cachorro louco). Faleceu 30 anos depois, em fevereiro de 1992, sem nunca explicar quais foram as terríveis forças que se levantaram contra seu governo.

Não pensem, entretanto, que o número sete dos meses que Jânio ocupou o augusto cargo, e a esotérica alusão a “forças terríveis”, tenham alguma coisa a ver com os mistérios da Maçonaria. Apesar de ele ter sido iniciado na Loja “Libertas”, da cidade de São Paulo – SP, em 1946,  não passou do Grau de Companheiro. Nem há evidências de que tenha frequentado Lojas, a não ser nas datas em que foi iniciado ou guindado ao grau seguinte.

Desde a renúncia de Jânio, o país viveu sérias convulsões. Jango assumiu o governo e tentou governar; mas foi abalroado pela incompetência do Congresso Nacional. Greves em cima de greves; a esquerda contra a direita, a direita contra a esquerda, o centro contra si mesmo, os operários contra os patrões e os patrões contra os discos voadores. Então os militares implantaram um “novo regime” que não era alimentar, nem visavam à diminuição do colesterol.

Para a maçonaria brasileira sobraram apenas as farpas do novo despenar-se. Sem entenderem o que estava acontecendo, nossos dirigentes voltaram-se para a única coisa que estavam treinados a fazer: bajulações à classe política e o envolvimento forçado de nossas Lojas e inocentes Irmãos em manobras tramadas à socapa pelos petits comitês (como ainda acontece em alguns segmentos da Ordem). Resultado: novas cisões e ameaças às sobrevivências pessoal e coletiva da Organização. (Recomendo a leitura do meu livro “Grande Loja Maçônica de Minas Gerais-História, Fundamentos e Formação” [2014] onde, apesar de eu ter focado uma Potência em particular [a GLMMG], traço um panorama da maçonaria brasileira como um todo, desde o Império. O livro não é restrito aos maçons; homens, mulheres e crianças de todos os credos e convicções podem lê-lo sem pruridos).

Prossigamos:

CAPÍTULO II: O segundo maçom “eleito” para o Palácio da Alvorada, desde 1930, foi o vice e atual Presidente da República Michel Temer, cujo nome completo é Michel Miguel Elias Temer Lulia(5). Pois então: “um povo que não conhece sua História está condenado a repeti-la”. E a lição não aprendida ainda é essa: CUIDADO COM O VICE.

Não preciso dizer mais nada. Nem devo.

CONCLUSÃO: Não perco a esperança em nada; principalmente não perco a esperança na Maçonaria com “M” maiúsculo. Se a maçonaria brasileira NÃO PRECISA DOS POLÍTICOS ‒ e precisamos nos convencer disso para preservarmos nossa dignidade ‒, não temos a necessidade de eleger um maçom como Presidente da República. Precisamos “mais do melhor”, isso sim ‒ bons maçons e excelentes dirigentes dispostos a fazerem a diferença. Precisamos voltar a servir de exemplo para a sociedade brasileira.

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NOTAS:

(1) “udenista” é referente à UDN, (União Democrática Nacional), partido de orientação conservadora, inspirado pelo Brigadeiro Eduardo Gomes.

(2) Cabral o navegador, não confundam com o presidiário.

(3) Palácio do Catete: sede do poder executivo brasileiro de 1897 a 1960, situado  no bairro do Flamengo, Rua do Catete, 153, Rio de Janeiro – RJ. Meu amigo e filólogo e zoologista S.J. explicou-me a origem do nome “catete”: trata-se do bípede galináceo de pernas nuas e penugem lisa: exemplo, o frango­-d’agua (Porphyrio flavirostris). Fiquem calmos: esse frango ­d’agua não tem nada a ver com aquele 7 X 1 com a Alemanha, fato dramático que aconteceu no Mineirão da minha santa terrinha, Belo Horizonte.

(4) Por favor, não inventem “histórias da maçonaria”. Os presidentes maçons no Brasil foram estes: Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Salles, Rodrigues Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás, Delfim Moreira e Washington Luís. Floriano Peixoto e Delfim Moreira não aparecem em algumas listas de Presidentes maçons, mas José Castellani confirma que o primeiro foi iniciado na Loja “Perfeita Amizade”, de Maceió (1871), e o segundo na Loja “Bello Horizonte”, da capital mineira, também frequentada por Wenceslau Brás [vejam meu livro “Grande Loja Maçônica de Minas Gerais-História, Fundamentos e Formação”, 2014].

(5) eu disse LULIA, não confundam com algum outro político.

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1 thought on “HISTÓRIA E ESTÓRIAS DOS PRESIDENTES MAÇONS NO BRASIL

  1. Bate-papo dos presidentes-maçons.
    Veja ilustração na foto

    Irm Jânio da Vassoura Quadrado – “E agora pra que lado eu vou???”
    Irm MM (Aqui não se trata de Mestr Maç mas, de Michel Miguel) E. Temer Lulia – “Para um abissal procedimento de incompetência e tétrico comando de asneiras ululantes….

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